De vez em quando paro para ouvir as pessoas idosas, minha
avó paterna é uma delas. Há muitas recordações na memória dessas pessoas, e há
grande saudosismo do tempo em que eram crianças e adolescentes em que podiam andar,
correr e caminhar sem dificuldades.
Imagino quando dessas histórias os profissionais de saúde
não houve, diariamente dessas pessoas em seus trabalhos.
Mas o que mais marca é ver como cada dia que essas pessoas
passam, a morte torna-se um fato próximo, mais real e concreto do que nunca
antes para essas pessoas.
A dor é constante, as visitas ao hospital e aos médicos
também, a cérebro já não é mais o mesmo, nem as pernas. E diante dessa real
situação a ficha cai, e a pessoa percebe que o fim está cada vez mais próximo.
Lembro-me de há uns três meses ter visitado uma tia da minha
mãe, que também a chamava de tia, uma dessas senhoras como mais de 80 anos, que
era também uma das mulheres que mais orava por mim lá na minha congregação,
sempre que me encontrava dizia de sua admiração por mim e do quanto ela
acreditava que eu sou um “homem de Deus” como ela enfatizava, também pedia
sempre para que eu orasse por ela.
E nesse dia fui lá realmente para ouvir as tristes lamentações de quem sabia que o fim estava próximo, até porque os médicos já tinham previsto isso por seu estado de saúde.
E nesse dia fui lá realmente para ouvir as tristes lamentações de quem sabia que o fim estava próximo, até porque os médicos já tinham previsto isso por seu estado de saúde.
Eu tenho percebido que nesses momentos finais as tentações
também marcam presença a fim de desviar a atenção de Deus e fazer com que a
pessoa morra de mal com Deus, meu avô materno que morreu com mais de 90 anos
sempre comentava isso, que Satanás o perturbava mesmo no fim da vida, e mesmo
sendo um homem que sempre procurou fazer a vontade de Deus sentia a pressão
para que se desvia dos caminhos de Deus e morresse sem perdão.
Então sabendo disso mais uma vez exaltei a importância e o
grande trunfo de todo o homem nessa terra para a minha tia, que é morrer
perdoado, morrer em paz com Deus, morrer sabendo para onde vai, e disse
claramente em tom humorístico para ela que infelizmente voltar aos 15 anos não
mais era possível, que morrer com mais de 80 anos é um privilégio, e que ela
devia com coragem encarar a situação e o novo momento com esperança, não
arredando o pé da fé em Jesus, crendo que esse não é o fim do cristão, esse é
apenas o começo de uma vida eterna, e de que esse tempo aqui é só um ensaio do
que há de vir para os que creem em Jesus e tem o seu perdão.
Então ela levantou a voz com firmeza e me disse:
- Disso eu não tenho dúvida Leovando. Eu sei quem é o meu Deus, e eu sei para onde eu estou indo, só estou aguardando o dia em que Deus vier me buscar para viver com ele.
- Disso eu não tenho dúvida Leovando. Eu sei quem é o meu Deus, e eu sei para onde eu estou indo, só estou aguardando o dia em que Deus vier me buscar para viver com ele.
Não precisei de mais nada, aquilo era o que eu já sabia em
relação a ela, e que naquele momento o Espírito Santo dentro de mim também
confirmou, e eu tive realmente a certeza de que ela era uma pessoa salva. Um mês depois ela morreu na hemodiálise. Não
foi uma novidade, e nem um momento de profunda tristeza para mim.
Enquanto falava para uma amiga que também é cristã, no
telefone, que não poderia ir à faculdade porque uma tia minha tinha morrido ela
lamentou, e eu disse:
- Imagina Mari, fica tranquila, essa eu sei para onde está
indo, é mais uma para povoar o céu, aos poucos os que creem estão povoando o
céu, e ri.
Ela riu e me disse que só eu mesmo para fazer piada com a
morte da tia.
Mas isso é uma realidade que também não tenho dúvida, nem da
fé da minha tia, nem do perdão de Deus e nem dá vida eterna.
E você ainda há alguma dúvida a sanar? Nem todos tem o
privilégio de morrer com mais de 80 anos.
